Psicanálise Clínica: Estrutura Borderline – Entre a Neurose e a PsicoseIntrodução
- Instituto Sul-Americano de Saúde Mental
- 16 de ago.
- 2 min de leitura

O termo borderline é amplamente utilizado na clínica contemporânea, mas seu significado pode variar muito entre diferentes abordagens. Na psicanálise, a estrutura borderline não é um diagnóstico no sentido estrito dos manuais classificatórios (DSM ou CID), mas um modo específico de organização psíquica que se situa na fronteira entre a neurose e a psicose.
Trata-se de um campo clínico desafiador, marcado por instabilidade emocional, relações intensas e conflitos de identidade, que exige do analista uma escuta refinada e um manejo técnico cuidadoso.
1. Origem do Conceito
O termo "borderline" foi introduzido por Adolf Stern em 1938 para descrever pacientes que não se encaixavam claramente nas categorias de neurose ou psicose.Na psicanálise, autores como Otto Kernberg e Melanie Klein desenvolveram a compreensão desse funcionamento, associando-o a dificuldades na integração dos objetos internos e na construção de um self coeso.
2. Características Estruturais
A estrutura borderline é marcada por:
Fragilidade na identidade – sensação de vazio, mudanças bruscas na autoimagem.
Oscilações afetivas intensas – alternância rápida entre idealização e desvalorização nas relações.
Angústia de abandono – medo intenso de perder o vínculo com figuras significativas.
Defesas primitivas – uso predominante de clivagem, identificação projetiva e idealização.
Risco de descompensação – sob estresse, pode apresentar episódios de desorganização próximos à lógica psicótica.
3. Diferenças em Relação à Neurose e à Psicose
Neurose – o sujeito mantém contato estável com a realidade simbólica, apesar dos conflitos.
Psicose – há ruptura com a realidade simbólica, como delírios ou alucinações.
Borderline – mantém contato com a realidade, mas com fragilidade estrutural que pode levar a crises de desorganização sob pressão emocional intensa.
4. Hipóteses Etiológicas
A psicanálise aponta múltiplos fatores:
Traumas precoces e rupturas no vínculo primário.
Ambiente instável ou abusivo, que impossibilitou a construção de uma base segura.
Falhas na função de espelhamento e na capacidade de integração das experiências emocionais.
5. Manejo Clínico
O tratamento psicanalítico com pacientes borderline requer:
Estabilidade do setting – regularidade e previsibilidade são fundamentais.
Trabalho sobre a transferência – intensa e frequentemente oscilante, pode alternar entre idealização e hostilidade.
Interpretações graduais – evitar interpretações precipitadas que possam ser vividas como intrusivas ou desorganizadoras.
Função continente – capacidade do analista de sustentar afetos intensos e ansiedades primitivas.
6. Desafios e Potencial Terapêutico
O trabalho clínico é desafiador, mas, quando conduzido com paciência e consistência:
Permite maior integração da identidade.
Reduz impulsividade e instabilidade afetiva.
Favorece a construção de relações mais seguras e estáveis.
O potencial terapêutico é significativo, pois muitos pacientes borderline apresentam grande sensibilidade, criatividade e desejo de transformação quando encontram um vínculo confiável.
Conclusão
A psicanálise clínica da estrutura borderline exige compreensão teórica, sensibilidade e firmeza ética. Ao oferecer um enquadre estável e uma escuta sem julgamentos, o analista pode ajudar o paciente a construir recursos internos mais sólidos e a transformar vínculos marcados pela instabilidade em relações mais seguras e integradoras.
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