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Psicanálise da Dependência Química: O Sintoma que Busca Preencher a Falta

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A dependência química não é vista pela psicanálise apenas como um problema de hábito ou de substância.


Ela é compreendida como um sintoma que fala sobre a relação do sujeito com o prazer, a dor e, principalmente, com a falta que estrutura o desejo humano.


O Papel da Falta e da Pulsão


Para Freud, a vida psíquica é movida por pulsões que buscam satisfação, mas essa satisfação nunca é total.


Na dependência química, a substância pode funcionar como tentativa de tamponar essa falta, oferecendo um prazer imediato que substitui, temporariamente, o trabalho simbólico de lidar com o desejo.


Essa busca incessante pelo “objeto” (a droga) é, muitas vezes, uma forma de fugir do contato com conteúdos internos dolorosos.


Lacan: O Objeto a e o Gozo


Lacan traz a noção de objeto a — aquilo que causa o desejo, mas nunca o satisfaz por completo.


Na dependência, a substância pode ocupar o lugar desse objeto, funcionando como um atalho para o gozo, mas ao custo de aprisionar o sujeito em um circuito repetitivo e autodestrutivo.


O uso deixa de ser escolha e passa a ser necessidade compulsiva.


O Corpo como Cenário do Sintoma


A dependência química também é uma forma de inscrição no corpo.


O prazer e a dor se entrelaçam, e o corpo passa a ser o palco onde se manifesta o conflito entre a busca de satisfação e a autodestruição.


Aplicações Práticas para Terapeutas


  1. Escutar além da substância – investigar o que ela representa na vida do paciente.

  2. Observar a função do uso – se ele serve para anestesiar, preencher, rebelar-se ou se conectar.

  3. Explorar a relação com a falta – ajudar o paciente a tolerar o vazio sem precisar preenchê-lo imediatamente.

  4. Trabalhar o circuito repetitivo – identificar gatilhos emocionais que levam ao consumo.

  5. Articular com rede de apoio – quando necessário, integrar o tratamento psicanalítico a outros recursos terapêuticos e médicos.


A psicanálise vê a dependência não apenas como algo a ser eliminado, mas como uma mensagem inconsciente a ser decifrada, possibilitando que o sujeito construa novas formas de lidar com seu desejo e com sua história.


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Blog do Instituto Sul-Americano de Saúde Mental www.insme.com.br

 
 
 

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