Psicanálise da Dependência Química: O Sintoma que Busca Preencher a Falta
- Instituto Sul-Americano de Saúde Mental
- há 1 dia
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A dependência química não é vista pela psicanálise apenas como um problema de hábito ou de substância.
Ela é compreendida como um sintoma que fala sobre a relação do sujeito com o prazer, a dor e, principalmente, com a falta que estrutura o desejo humano.
O Papel da Falta e da Pulsão
Para Freud, a vida psíquica é movida por pulsões que buscam satisfação, mas essa satisfação nunca é total.
Na dependência química, a substância pode funcionar como tentativa de tamponar essa falta, oferecendo um prazer imediato que substitui, temporariamente, o trabalho simbólico de lidar com o desejo.
Essa busca incessante pelo “objeto” (a droga) é, muitas vezes, uma forma de fugir do contato com conteúdos internos dolorosos.
Lacan: O Objeto a e o Gozo
Lacan traz a noção de objeto a — aquilo que causa o desejo, mas nunca o satisfaz por completo.
Na dependência, a substância pode ocupar o lugar desse objeto, funcionando como um atalho para o gozo, mas ao custo de aprisionar o sujeito em um circuito repetitivo e autodestrutivo.
O uso deixa de ser escolha e passa a ser necessidade compulsiva.
O Corpo como Cenário do Sintoma
A dependência química também é uma forma de inscrição no corpo.
O prazer e a dor se entrelaçam, e o corpo passa a ser o palco onde se manifesta o conflito entre a busca de satisfação e a autodestruição.
Aplicações Práticas para Terapeutas
Escutar além da substância – investigar o que ela representa na vida do paciente.
Observar a função do uso – se ele serve para anestesiar, preencher, rebelar-se ou se conectar.
Explorar a relação com a falta – ajudar o paciente a tolerar o vazio sem precisar preenchê-lo imediatamente.
Trabalhar o circuito repetitivo – identificar gatilhos emocionais que levam ao consumo.
Articular com rede de apoio – quando necessário, integrar o tratamento psicanalítico a outros recursos terapêuticos e médicos.
A psicanálise vê a dependência não apenas como algo a ser eliminado, mas como uma mensagem inconsciente a ser decifrada, possibilitando que o sujeito construa novas formas de lidar com seu desejo e com sua história.
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