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Psicanálise e Transtornos Alimentares: Quando o Corpo Fala o que a Palavra Não Consegue

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Os transtornos alimentares — como anorexia, bulimia e compulsão alimentar — vão muito além da relação com a comida.


Na psicanálise, eles são entendidos como formas de expressão de conflitos psíquicos profundos, muitas vezes ligados à identidade, ao desejo e à relação com o outro.


O Sintoma como Linguagem


Para a psicanálise, o sintoma alimentar é uma mensagem cifrada do inconsciente.


O corpo passa a falar quando as palavras falham, expressando, por meio da fome, da recusa ou do excesso, algo que não pode ser simbolizado de outra forma.


A comida, nesse contexto, pode representar afeto, controle, punição ou tentativa de preenchimento de uma falta.


Freud e a Oralidade


Freud associou a fase oral do desenvolvimento à busca de prazer e segurança através da boca.


Fixações ou conflitos nessa fase podem se manifestar mais tarde em comportamentos ligados à ingestão — desde vícios alimentares até compulsões.


Nos transtornos alimentares, a oralidade assume uma função defensiva e simbólica.


Lacan: O Desejo e o Olhar do Outro


Lacan acrescenta a ideia de que o corpo, no transtorno alimentar, é também um corpo para o olhar do outro.


A recusa em comer ou o controle extremo do peso podem ser tentativas de afirmar autonomia frente às expectativas alheias, ou de se adequar a ideais impostos.


O sintoma se torna uma forma de dizer “eu existo” ou “eu me recuso” sem usar palavras.


Aplicações Práticas para Terapeutas


  1. Escutar o sintoma sem reduzi-lo ao biológico – considerar aspectos afetivos, simbólicos e relacionais.

  2. Investigar o significado pessoal da comida e do corpo – compreender o que eles representam para o paciente.

  3. Observar a relação com o controle e a dependência – explorar como essas dinâmicas se expressam na alimentação.

  4. Trabalhar a simbolização – ajudar o paciente a traduzir em palavras o que hoje só se manifesta no corpo.

  5. Articular com suporte multidisciplinar – integrar o trabalho psicanalítico a cuidados médicos e nutricionais quando necessário.


A psicanálise não busca apenas “corrigir” comportamentos alimentares, mas dar voz ao que o corpo expressa, ajudando o paciente a construir novas formas de se relacionar consigo mesmo e com os outros.


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Blog do Instituto Sul-Americano de Saúde Mental www.insme.com.br

 
 
 

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