Psicanálise e Transtornos Alimentares: Quando o Corpo Fala o que a Palavra Não Consegue
- Instituto Sul-Americano de Saúde Mental
- há 2 dias
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Os transtornos alimentares — como anorexia, bulimia e compulsão alimentar — vão muito além da relação com a comida.
Na psicanálise, eles são entendidos como formas de expressão de conflitos psíquicos profundos, muitas vezes ligados à identidade, ao desejo e à relação com o outro.
O Sintoma como Linguagem
Para a psicanálise, o sintoma alimentar é uma mensagem cifrada do inconsciente.
O corpo passa a falar quando as palavras falham, expressando, por meio da fome, da recusa ou do excesso, algo que não pode ser simbolizado de outra forma.
A comida, nesse contexto, pode representar afeto, controle, punição ou tentativa de preenchimento de uma falta.
Freud e a Oralidade
Freud associou a fase oral do desenvolvimento à busca de prazer e segurança através da boca.
Fixações ou conflitos nessa fase podem se manifestar mais tarde em comportamentos ligados à ingestão — desde vícios alimentares até compulsões.
Nos transtornos alimentares, a oralidade assume uma função defensiva e simbólica.
Lacan: O Desejo e o Olhar do Outro
Lacan acrescenta a ideia de que o corpo, no transtorno alimentar, é também um corpo para o olhar do outro.
A recusa em comer ou o controle extremo do peso podem ser tentativas de afirmar autonomia frente às expectativas alheias, ou de se adequar a ideais impostos.
O sintoma se torna uma forma de dizer “eu existo” ou “eu me recuso” sem usar palavras.
Aplicações Práticas para Terapeutas
Escutar o sintoma sem reduzi-lo ao biológico – considerar aspectos afetivos, simbólicos e relacionais.
Investigar o significado pessoal da comida e do corpo – compreender o que eles representam para o paciente.
Observar a relação com o controle e a dependência – explorar como essas dinâmicas se expressam na alimentação.
Trabalhar a simbolização – ajudar o paciente a traduzir em palavras o que hoje só se manifesta no corpo.
Articular com suporte multidisciplinar – integrar o trabalho psicanalítico a cuidados médicos e nutricionais quando necessário.
A psicanálise não busca apenas “corrigir” comportamentos alimentares, mas dar voz ao que o corpo expressa, ajudando o paciente a construir novas formas de se relacionar consigo mesmo e com os outros.
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