Ansiedade e Angústia na Psicanálise: Como Compreender e Manejar na Clínica
- Instituto Sul-Americano de Saúde Mental
- há 7 dias
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Ansiedade e angústia estão entre as queixas mais comuns no consultório, mas na psicanálise elas não são vistas apenas como sintomas a serem eliminados.
Elas são sinais importantes do funcionamento psíquico, indicando conflitos internos, desejos reprimidos e desafios na relação do sujeito com a realidade.
Freud e a Diferença entre Ansiedade e Angústia
Freud inicialmente usou os termos como sinônimos, mas depois passou a diferenciá-los.
A angústia foi entendida como uma reação do ego diante de um perigo percebido — interno ou externo — que ameaça a integridade psíquica.
Já a ansiedade passou a ser descrita como um estado afetivo ligado à expectativa de perigo, muitas vezes sem que a pessoa saiba nomear a causa.
Para a clínica, essa distinção ajuda a compreender se a emoção está ligada a um perigo real, simbólico ou a uma antecipação imaginária.
Lacan: Angústia sem Objeto
Lacan aprofundou o tema ao dizer que a angústia não é sem objeto, mas sim sem um objeto claro.
Ela se manifesta quando o sujeito se aproxima de algo muito íntimo e perturbador — um ponto onde as defesas não funcionam como antes.
Na prática clínica, isso significa que a angústia pode indicar que o paciente está tocando em conteúdos inconscientes relevantes para seu processo.
Sinais Clínicos de Ansiedade e Angústia
Queixas difusas de mal-estar ou “falta de ar emocional”.
Mudanças bruscas no tom de voz, respiração ou postura durante a sessão.
Relatos de insônia, tensão muscular ou preocupações constantes.
Uso intensivo de defesas como racionalização, evitação ou humor excessivo.
Aplicações Práticas para Terapeutas
Escuta sem pressa – permitir que o paciente fale livremente, sem tentar nomear a emoção imediatamente.
Explorar o contexto da sensação – investigar quando e como o sintoma aparece.
Trabalhar a simbolização – ajudar o paciente a transformar sensações corporais em palavras.
Observar resistências – notar quando o discurso muda de rumo ao se aproximar de temas angustiantes.
Sustentar a angústia – em vez de eliminá-la rapidamente, usar o afeto como material de análise.
A psicanálise vê a ansiedade e a angústia não apenas como algo a ser controlado, mas como portas de entrada para a verdade subjetiva do paciente.
Saber escutá-las e manejá-las é uma habilidade central para qualquer terapeuta.
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