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Psicanálise e Depressão: Escutando o Silêncio e o Retraimento na Clínica

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A depressão é uma das condições mais frequentes no consultório, mas na psicanálise ela não é reduzida a um diagnóstico ou desequilíbrio químico.


Ela é compreendida como expressão de um conflito psíquico profundo, muitas vezes relacionado a perdas, frustrações e à forma como o sujeito lida com seu desejo.


Freud: Luto e Melancolia


Em seu texto clássico Luto e Melancolia (1917), Freud diferencia o luto normal da melancolia.


No luto, a perda é consciente e, com o tempo, o sujeito consegue investir libido em novos objetos.


Na melancolia, a perda é vivida de forma inconsciente ou não simbolizada, levando a uma identificação do ego com o objeto perdido. Isso resulta em autorrecriminação, culpa intensa e sensação de vazio.


Essa perspectiva ajuda o terapeuta a perceber quando a tristeza é parte de um processo saudável de elaboração e quando se tornou um impasse psíquico.


Lacan: A Falta de Desejo


Lacan associa a depressão à dificuldade de sustentar o próprio desejo.


O sujeito depressivo muitas vezes se afasta das atividades e relações que antes lhe davam sentido, como se tivesse perdido o acesso ao que o movia.


Essa perda de contato com o desejo não é preguiça ou fraqueza, mas resultado de um bloqueio interno que precisa ser explorado na análise.


Sinais Clínicos da Depressão na Perspectiva Psicanalítica


  • Desânimo persistente e sensação de vazio.

  • Discurso carregado de culpa ou autodesvalorização.

  • Lentificação da fala e dos gestos, ou, ao contrário, agitação ansiosa.

  • Queixas somáticas sem explicação médica clara.


Aplicações Práticas para Terapeutas


  1. Acolher o ritmo do paciente – evitar forçar mudanças rápidas, respeitando o tempo da elaboração psíquica.

  2. Identificar perdas não simbolizadas – investigar o que foi perdido e como essa perda foi vivida.

  3. Explorar identificações – compreender com quem ou com o que o paciente está identificado inconscientemente.

  4. Trabalhar a reconexão com o desejo – abrir espaço para que o paciente se reencontre com motivações próprias.


A psicanálise não vê a depressão apenas como algo a ser curado, mas como uma forma de sofrimento que carrega uma história.


O trabalho terapêutico é ajudar o paciente a narrar essa história de forma a transformar o que hoje é peso em possibilidade de vida.


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Blog do Instituto Sul-Americano de Saúde Mental www.insme.com.br

 
 
 

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